Uma viagem longa, uma cirurgia ou um período de repouso podem parecer situações comuns, mas, em determinadas pessoas, aumentam o risco de formação de coágulos nas veias. Conhecer os cinco fatores de risco para trombose ajuda a reconhecer quando a prevenção e a avaliação vascular merecem atenção redobrada. Isso é especialmente relevante quando há dor, inchaço ou mudança de cor em uma das pernas.
A trombose venosa profunda acontece quando um coágulo se forma, geralmente, nas veias profundas das pernas. Além de prejudicar a circulação local, esse coágulo pode se deslocar até os pulmões e causar embolia pulmonar, uma complicação potencialmente grave. Nem todas as pessoas expostas a um fator de risco terão trombose, mas a combinação de dois ou mais fatores eleva a necessidade de cuidado.
Cinco fatores de risco para trombose que exigem atenção
1. Imobilidade prolongada
Ficar muitas horas sentado, deitado ou com movimentos muito reduzidos torna o fluxo do sangue nas pernas mais lento. Esse cenário pode ocorrer em viagens de carro, ônibus ou avião, em internações hospitalares, após doenças que exigem repouso e em pessoas com limitação importante para caminhar.
O risco não está apenas em viagens muito longas. Uma pessoa que passa dias acamada, por exemplo, pode ter risco maior do que alguém que faz uma viagem e consegue se levantar e movimentar as pernas periodicamente. Quando há recomendação médica de repouso, a prevenção deve ser individualizada, pois algumas pessoas precisarão de medidas adicionais além da movimentação orientada.
2. Cirurgias, traumas e internações
Procedimentos cirúrgicos, principalmente os de grande porte e os realizados em abdome, pelve, quadril, joelho ou pernas, podem aumentar temporariamente a tendência à formação de coágulos. O próprio trauma cirúrgico, a redução da mobilidade no pós-operatório e, em alguns casos, a inflamação associada ao procedimento contribuem para esse risco.
Fraturas, lesões extensas e uso de gesso ou imobilizadores também merecem atenção. A prevenção pode envolver caminhar assim que for seguro, usar compressão quando indicada e, para alguns pacientes, utilizar medicamentos anticoagulantes por um período definido. Esses medicamentos não devem ser iniciados por conta própria, pois também podem aumentar o risco de sangramentos.
3. Gestação, pós-parto e uso de hormônios
Durante a gestação, o organismo passa por mudanças naturais que favorecem a coagulação e reduzem o retorno do sangue das pernas. O risco permanece elevado nas semanas após o parto, fase conhecida como puerpério. Por isso, dor ou inchaço em apenas uma perna durante a gravidez ou depois do nascimento do bebê precisa ser investigado sem demora.
Anticoncepcionais com estrogênio, terapia hormonal da menopausa e alguns tratamentos hormonais também podem aumentar o risco em determinadas pacientes. Isso não significa que toda mulher deva interromper o medicamento, mas é fundamental informar ao médico sobre histórico pessoal ou familiar de trombose antes de iniciar ou manter o uso. A escolha do método depende de idade, tabagismo, enxaqueca, obesidade, antecedentes e outros aspectos clínicos.
4. Câncer e alguns tratamentos oncológicos
Alguns tipos de câncer aumentam a atividade de coagulação do organismo. Cirurgias oncológicas, quimioterapia, internações, uso de cateteres venosos e a própria redução da mobilidade podem somar riscos. Em certos casos, a trombose pode até ser uma das primeiras manifestações de uma doença ainda não diagnosticada, embora isso não seja a regra.
Pacientes em tratamento oncológico precisam de acompanhamento próximo e orientação clara sobre sintomas suspeitos. A decisão de prevenir trombose com anticoagulantes é sempre médica e considera tanto o risco de coágulo quanto a possibilidade de sangramento. Não existe uma conduta única para todos os diagnósticos de câncer.
5. Histórico de trombose, trombofilias e características individuais
Quem já teve trombose possui maior chance de apresentar um novo episódio, especialmente se persistirem fatores desencadeantes. Algumas pessoas também têm trombofilias, alterações hereditárias ou adquiridas que aumentam a predisposição à coagulação. Ter um familiar com trombose em idade jovem pode ser uma informação relevante, mas não significa, por si só, que todos os parentes precisem fazer exames genéticos ou usar anticoagulantes.
Idade avançada, obesidade, tabagismo, insuficiência cardíaca, doenças inflamatórias e algumas condições clínicas crônicas podem contribuir para o risco. As varizes, por sua vez, devem ser avaliadas dentro do contexto de cada paciente: elas podem estar associadas a sintomas venosos e, em algumas situações, a trombose superficial, mas não explicam sozinhas a maioria dos casos de trombose venosa profunda.
Como reconhecer sinais de alerta de trombose
A trombose pode causar inchaço em uma perna, dor ou sensação de peso que não melhora, aumento da temperatura local, vermelhidão ou coloração arroxeada. A panturrilha é uma região frequentemente afetada, mas o problema também pode ocorrer na coxa, nos braços ou em outras veias.
Os sintomas não são exclusivos da trombose. Distensão muscular, insuficiência venosa, linfedema e outras condições podem gerar desconforto e edema. Ainda assim, não é seguro tentar diferenciar em casa apenas pela aparência da perna ou pela intensidade da dor. Uma avaliação médica e, quando indicado, a ecografia vascular com Doppler permitem investigar o fluxo venoso e a presença de coágulos com precisão.
Falta de ar súbita, dor no peito ao respirar, palpitações, tosse com sangue, desmaio ou mal-estar intenso podem indicar embolia pulmonar. Diante desses sintomas, a orientação é procurar atendimento de urgência imediatamente. Não espere uma consulta agendada e não faça massagens na perna dolorida enquanto aguarda avaliação.
Prevenção: medidas úteis, mas sem improvisos
A prevenção começa pela identificação do risco antes de uma cirurgia, de uma internação, de uma gravidez ou de uma viagem prolongada. Manter-se ativo dentro dos limites seguros, levantar-se em intervalos regulares, movimentar tornozelos e pernas e manter boa hidratação podem ajudar em situações de imobilidade leve ou viagens.
Meias de compressão podem ser úteis para pessoas selecionadas, mas o modelo e a pressão precisam ser definidos conforme a circulação arterial, o grau de insuficiência venosa e a presença de outras doenças. Elas não substituem anticoagulantes quando há indicação médica, assim como o uso de anticoagulantes não deve ser motivado apenas pelo medo de trombose.
Evitar cigarro, controlar o peso, tratar doenças crônicas e informar todos os medicamentos em uso também fazem parte do cuidado vascular. Para quem já teve trombose, um plano personalizado é ainda mais importante antes de cirurgias, viagens ou mudanças de tratamento hormonal.
Quando procurar avaliação vascular
Procure um especialista se houver inchaço novo e assimétrico, dor persistente em uma perna, endurecimento doloroso de uma veia superficial ou histórico de trombose associado a uma nova situação de risco. A consulta permite revisar antecedentes, medicamentos, exames anteriores e definir se há necessidade de ecografia vascular com Doppler.
Em Passo Fundo, uma avaliação vascular cuidadosa pode reunir consulta aprofundada e exames especializados para esclarecer sintomas com mais agilidade. O objetivo não é apenas confirmar ou afastar a trombose, mas orientar prevenção e tratamento de acordo com a realidade de cada paciente.
Diante de qualquer sinal suspeito, agir cedo traz mais segurança: a circulação merece atenção antes que um sintoma aparentemente simples se transforme em uma urgência.

