Endolaser para Varizes em Passo Fundo | Dr. Almondi Fagundes

Pernas pesadas no fim do dia, inchaço nos tornozelos e veias dilatadas e tortuosas são queixas frequentes no consultório vascular. Câimbras noturnas também podem ocorrer, mas são inespecíficas e não confirmam, isoladamente, insuficiência venosa. Em muitos casos, a origem do problema está em uma veia de maior calibre, como a veia safena, que deixou de funcionar adequadamente e passou a permitir o refluxo venoso, contribuindo para o aumento da pressão nas veias superficiais. Para essas situações, o endolaser venoso tornou-se uma das principais opções de tratamento, com recomendação nas diretrizes brasileira, europeia e norte-americana.[1-3] Neste artigo, explico o que é o endolaser, quando ele pode ser indicado, como é o procedimento e o que esperar da recuperação.

O que são varizes e por que elas aparecem

As veias das pernas têm válvulas que direcionam o sangue de volta ao coração. Quando essas válvulas se tornam insuficientes, o refluxo sanguíneo pode aumentar a pressão venosa, contribuindo para a dilatação das veias. Esse quadro faz parte da doença venosa crônica, que pode variar de pequenos vasinhos até varizes calibrosas, inchaço, manchas escuras na pele e, nos casos mais avançados, feridas próximas ao tornozelo.[1] Fatores como histórico familiar, gestações, longos períodos em pé ou sentado, sobrepeso e o próprio envelhecimento aumentam a chance de desenvolver varizes. Por se tratar de uma condição crônica e progressiva, a avaliação precoce ajuda a definir o melhor momento e a melhor forma de tratamento.

O que é o endolaser venoso

O endolaser venoso, também chamado de laser endovenoso ou ablação térmica endovenosa com laser, é um procedimento minimamente invasivo. Em vez de retirar a veia doente por meio de incisões, como na cirurgia convencional, o tratamento é feito por dentro do vaso.[1,4] De forma simplificada, uma fibra óptica muito fina é introduzida na veia por meio de uma punção na pele, guiada por ultrassom. A energia do laser aquece a parede da veia, que se fecha. Com o tempo, o organismo absorve essa veia tratada, e o sangue passa a circular pelas veias saudáveis.[4]

Quando o endolaser pode ser indicado

A principal indicação do endolaser é o tratamento do refluxo nas veias safenas (safena magna e safena parva) e em algumas veias acessórias, em pessoas com varizes sintomáticas ou com alterações de pele causadas pela insuficiência venosa.[1-3] A diretriz da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular recomenda a termoablação, por laser ou radiofrequência, para tratar a insuficiência das veias safenas magna e parva.[1] A diretriz europeia recomenda a ablação térmica endovenosa como primeira escolha para a safena magna, em preferência à cirurgia convencional e à espuma, e também a recomenda para a safena parva.[2] As sociedades norte-americanas, da mesma forma, recomendam a ablação endovenosa em vez da retirada cirúrgica da safena para pacientes com varizes sintomáticas e refluxo nessas veias.[3] Nem toda variz, porém, precisa de endolaser. Vasinhos e veias pequenas costumam ser tratados com escleroterapia ou laser transdérmico, e as varizes tributárias podem ser tratadas com microcirurgia (flebectomia) ou espuma, isoladamente ou em associação ao endolaser.[1-3] A indicação depende do mapa das veias, dos sintomas e das características de cada paciente.

A importância da ecografia vascular com Doppler

Antes de qualquer decisão, é fundamental realizar a ecografia vascular com Doppler (eco-Doppler venoso). Esse exame mostra quais veias apresentam refluxo, o seu diâmetro, o seu trajeto e a condição do sistema venoso profundo. As diretrizes recomendam o Doppler como exame principal para diagnóstico e planejamento do tratamento das varizes.[1,2] É esse mapeamento que permite definir se o endolaser é a opção mais adequada, quais veias precisam ser tratadas e se há necessidade de associar outras técnicas.

Como é o procedimento

Na prática do Dr. Almondi Fagundes, o endolaser é realizado em ambiente hospitalar, com planejamento anestésico individualizado. De modo geral, o procedimento segue estas etapas:[2,4]

  • Planejamento com ultrassom: a veia a ser tratada é identificada e marcada.
  • Punção guiada: a fibra de laser é introduzida na veia por uma pequena punção, sem cortes extensos.
  • Anestesia tumescente: uma solução anestésica é aplicada ao redor da veia, também guiada por ultrassom, para proteger os tecidos vizinhos e reduzir o desconforto. Conforme o caso, outras modalidades anestésicas podem ser associadas, segundo o planejamento individual e a avaliação da equipe anestésica.
  • Aplicação do laser: a fibra é recuada lentamente enquanto libera energia, promovendo o fechamento da veia.
  • Tratamento complementar: quando indicado, as varizes ramificadas podem ser tratadas no mesmo momento ou em uma etapa posterior.

Ambiente hospitalar e alta: na prática do Dr. Almondi Fagundes, o endolaser é realizado em ambiente hospitalar. Na maioria dos casos, a alta ocorre no mesmo dia após a recuperação anestésica e a avaliação clínica; outros casos podem exigir observação ou internação, conforme a condição do paciente.

Recuperação após o endolaser

Uma das vantagens do endolaser é a recuperação, em geral, mais rápida e com menos dor do que a cirurgia convencional.[4] A deambulação precoce, conforme orientação da equipe médica, é habitualmente recomendada após o procedimento, contribuindo para a recuperação funcional e para evitar períodos prolongados de imobilidade. As orientações mais comuns incluem uso de meia elástica pelo período indicado, caminhadas leves, retorno gradual às atividades e acompanhamento com consulta e ultrassom, quando necessário. A diretriz europeia recomenda avaliar o risco de trombose antes do procedimento e individualizar as medidas de prevenção.[2] O tempo de afastamento do trabalho e de retorno à atividade física varia conforme a extensão do tratamento e o tipo de atividade de cada pessoa.

Efeitos esperados e possíveis complicações

Como qualquer procedimento médico, o endolaser não é isento de riscos. Os efeitos mais frequentes costumam ser leves e temporários, como manchas roxas, sensibilidade ou endurecimento no trajeto da veia tratada.[2] Com menor frequência, podem ocorrer escurecimento da pele, alteração temporária de sensibilidade por irritação de pequenos nervos e inflamação de veias superficiais.[2,3] Complicações menos frequentes incluem queimaduras, extensão trombótica relacionada ao procedimento, trombose venosa profunda e, raramente, embolia pulmonar; exigem atenção e reconhecimento precoce.[2,3] Por isso, a avaliação prévia, a técnica guiada por ultrassom e o acompanhamento após o procedimento são partes essenciais do tratamento. Sinais de alerta: dor intensa ou progressiva, edema importante de uma perna, falta de ar, dor torácica, febre persistente ou alteração súbita de sensibilidade ou perfusão exigem avaliação médica imediata.

O que dizem os estudos

Um estudo multicêntrico com quase 800 pacientes, publicado no New England Journal of Medicine, comparou laser endovenoso, espuma e cirurgia convencional. Após cinco anos, a qualidade de vida relacionada às varizes foi melhor nos grupos tratados com laser ou cirurgia do que no grupo tratado apenas com espuma, e o laser apresentou a maior probabilidade de ser custo-efetivo.[5] As diretrizes clínicas descrevem a ablação térmica endovenosa como uma opção consolidada para o refluxo de safenas em pacientes selecionados.[1-3] Ainda assim, varizes são uma condição crônica: novas veias podem surgir ao longo dos anos, o que reforça a importância do acompanhamento periódico. Para conhecer uma alternativa terapêutica, consulte Escleroterapia com espuma para varizes: quando é indicada?.

Quem pode não ser candidato

Algumas situações exigem cautela ou outra estratégia de tratamento, como gestação, trombose venosa recente, obstrução importante das veias profundas, doença arterial significativa nas pernas, veias muito tortuosas ou com anatomia desfavorável. Essas condições são avaliadas individualmente na consulta e no exame de Doppler.[1-3]

Perguntas frequentes

O endolaser dói?

O procedimento é feito com anestesia, e a maioria dos pacientes relata desconforto leve a moderado nos primeiros dias, geralmente controlado com analgésicos simples.[2,4]

Fica cicatriz?

Como o acesso é feito por punção, não há cortes extensos. Quando há associação com microcirurgia das varizes ramificadas, podem ser necessárias pequenas incisões, que costumam ser discretas.

O endolaser trata vasinhos?

Não. O endolaser trata veias de maior calibre com refluxo. Vasinhos e pequenas veias costumam ser tratados com escleroterapia ou laser transdérmico.[1]

As varizes podem voltar?

A veia tratada tende a permanecer fechada, mas a doença venosa é crônica e outras veias podem se tornar varicosas com o tempo. Acompanhamento e hábitos saudáveis ajudam no controle.[5]

Preciso de internação?

Na prática do Dr. Almondi Fagundes, o procedimento é realizado em ambiente hospitalar. A alta na maioria das vezes ocorre no mesmo dia, quando clinicamente apropriado, conforme avaliação da equipe.

Avaliação vascular em Passo Fundo

Se você tem varizes, sensação de peso, inchaço ou alterações na pele das pernas, uma avaliação com angiologista e cirurgião vascular permite entender a causa dos sintomas e discutir as opções de tratamento adequadas ao seu caso. No consultório, a avaliação clínica pode ser complementada pela ecografia vascular com Doppler, quando indicada. Conheça também as opções de tratamento de varizes em Passo Fundo.

Atendimento: Rua Uruguai, 1954, Sala 502, Centro, Passo Fundo/RS. Agendamento pelo WhatsApp (54) 99691-1919. Confirme previamente horários e disponibilidade.

Referências

  1. Kikuchi R, Nhuch C, Drummond DAB, et al. Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10648055/
  2. De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184-267. Disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2021.12.024
  3. Gloviczki P, Lawrence PF, Wasan SM, et al. The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024;12(1):101670. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11523430/
  4. Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Consenso no tratamento da insuficiência venosa crônica de membros inferiores. Disponível em: https://sbacv.org.br/wp-content/uploads/2021/03/consenso-insuficiencia-venosa-cronica-membros-inferiores.pdf
  5. Brittenden J, Cooper D, Dimitrova M, et al. Five-Year Outcomes of a Randomized Trial of Treatments for Varicose Veins. N Engl J Med. 2019;381(10):912-922. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1805186

Responsável pelo conteúdo médico

Dr. Almondi Fagundes — CRM-RS 27252

  • Angiologia e Cirurgia Vascular — RQE 18982.
  • Ecografia Vascular com Doppler — RQE 21674.
  • Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular — RQE 25703.
  • Cirurgia Geral — RQE 17493.

Mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Experiência em ensino e formação médica em Cirurgia Vascular.

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individualizada.

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