Veias dilatadas e tortuosas, sensação de peso nas pernas, desconforto e inchaço ao final do dia são motivos frequentes de avaliação vascular. Embora algumas pessoas procurem atendimento por questões estéticas, as varizes também podem fazer parte da doença venosa crônica, que exige investigação e tratamento individualizados. Nem todo sintoma nas pernas, entretanto, é causado por varizes: a avaliação clínica é essencial para distinguir outras condições.[1–3] Quem procura tratamento de varizes em Passo Fundo pode encontrar diferentes opções, desde medidas conservadoras e escleroterapia até procedimentos destinados ao refluxo de veias de maior calibre, como a safena. A escolha depende dos sintomas, do exame físico e, quando indicado, do Eco Doppler venoso.
O que são varizes e por que aparecem?
As veias das pernas possuem válvulas que auxiliam o retorno do sangue ao coração. Quando essas válvulas se tornam insuficientes, pode ocorrer refluxo venoso, com aumento da pressão em segmentos do sistema venoso superficial. Ao longo do tempo, isso pode contribuir para dilatação e tortuosidade das veias.[1,2] História familiar, idade, gestações, obesidade e fatores relacionados à atividade e à mobilidade podem influenciar o aparecimento ou a progressão da doença. As manifestações variam desde telangiectasias (vasinhos) e veias reticulares até varizes, edema, alterações de pele e úlceras venosas.[1]
Quando as varizes precisam de avaliação e tratamento?
A decisão não depende apenas do tamanho ou da aparência da veia. Merecem avaliação sintomas persistentes, como peso, dor, edema e desconforto; varizes progressivamente dilatadas; alterações de pigmentação ou inflamação da pele; episódios de sangramento; e feridas próximas ao tornozelo. O impacto na qualidade de vida e as preferências do paciente também são considerados.[1–3] Atenção: inchaço súbito e importante de uma perna, dor intensa de início recente, falta de ar ou dor torácica exigem avaliação médica urgente, pois podem indicar condições diferentes de varizes simples.
Por que o Eco Doppler venoso é importante?
O Eco Doppler venoso dos membros inferiores avalia a anatomia das veias, a direção do fluxo, a presença e a distribuição do refluxo e aspectos do sistema venoso profundo. É o principal exame de imagem para planejar o tratamento da insuficiência venosa superficial quando há suspeita de refluxo clinicamente relevante.[1–3] Um ponto decisivo é identificar de onde vem o refluxo. Tratar somente as veias visíveis, sem considerar uma eventual insuficiência da safena ou de outras veias nutridoras, pode deixar a causa hemodinâmica sem abordagem. Por outro lado, nem todos os vasinhos exigem um procedimento sobre a safena.
Quais são as opções de tratamento de varizes?
1. Medidas conservadoras e acompanhamento
Caminhadas, exercícios que mobilizam a panturrilha e o tornozelo, controle de peso quando indicado e redução de períodos prolongados de imobilidade podem contribuir para o cuidado da doença venosa. A compressão elástica, quando adequadamente indicada, pode aliviar sintomas e edema. Medicamentos venoativos podem ser considerados em situações selecionadas para controle sintomático.[1,3] Essas medidas não eliminam necessariamente uma veia com refluxo significativo. Também não substituem, de modo obrigatório, uma intervenção quando há indicação clínica e o paciente deseja tratamento definitivo do refluxo superficial. A escolha deve considerar benefícios, limitações e contraindicações, inclusive para o uso de compressão.[2,3]
2. Escleroterapia de vasinhos e pequenas veias
A escleroterapia consiste na aplicação de uma substância esclerosante em vasos selecionados, buscando provocar seu fechamento. É frequentemente empregada em telangiectasias e veias reticulares, conforme o calibre, a distribuição e a avaliação vascular. Algumas situações podem ser tratadas com laser transdérmico ou associação de técnicas.[1,2] A quantidade de sessões é variável. Podem ocorrer manchas temporárias, pequenos hematomas e outras reações locais; complicações menos comuns também precisam ser discutidas antes do procedimento. A presença de refluxo em veias maiores pode alterar o planejamento.
3. Escleroterapia com espuma para varizes
Na escleroterapia com espuma, um esclerosante, frequentemente o polidocanol, é preparado na forma de espuma e aplicado na veia selecionada. A técnica amplia o contato do agente com a parede venosa e pode ser realizada com orientação ultrassonográfica, especialmente em vasos não visíveis diretamente.[1–3] A espuma pode ser uma opção para varizes tributárias, determinadas veias com refluxo e situações clínicas específicas. Uma vantagem prática importante é o caráter ambulatorial e minimamente invasivo: em casos selecionados, o procedimento é feito sem internação hospitalar e geralmente sem necessidade de anestesia. Isso não significa ausência de desconforto ou riscos. Para insuficiência de troncos safênicos, entretanto, as taxas de recanalização e a necessidade de retratamento podem ser maiores do que com a ablação térmica em alguns contextos. Isso não torna a espuma inadequada: significa que a indicação deve ser individualizada.[1–3] Leia também: Escleroterapia com espuma para varizes: quando é indicada?.
4. Endolaser venoso para refluxo da safena
O endolaser venoso é uma técnica de ablação térmica endovenosa. Uma fibra óptica é introduzida na veia por punção, sob orientação ultrassonográfica. A energia aplicada promove o fechamento do segmento venoso insuficiente. O retorno do sangue ocorre por outras vias venosas funcionantes.[1–3] É uma das principais opções para pacientes com refluxo sintomático da safena magna, da safena parva e de determinadas veias acessórias, conforme a anatomia. Diretrizes brasileiras, europeias e norte-americanas reconhecem o papel da ablação endovenosa no tratamento de refluxo troncular.[1–3] Na prática do Dr. Almondi Fagundes, o endolaser para varizes é realizado em ambiente hospitalar, com planejamento anestésico e acompanhamento individualizados. A alta pode ocorrer no mesmo dia em casos selecionados, dependendo da avaliação clínica e anestésica. Saiba mais: Endolaser para varizes em Passo Fundo: indicações e recuperação.
5. Microcirurgia de varizes e cirurgia convencional
A flebectomia ambulatorial ou microcirurgia permite retirar varizes tributárias por pequenas incisões e pode ser indicada isoladamente ou associada ao tratamento de veias com refluxo. A cirurgia convencional da safena, com ligadura e retirada do vaso, permanece uma alternativa em situações selecionadas, sobretudo quando técnicas endovenosas não são apropriadas ou disponíveis.[2,3] O tratamento ideal pode combinar técnicas, em uma mesma etapa ou em momentos diferentes, de acordo com o mapeamento venoso e as condições clínicas.
Como escolher entre escleroterapia, espuma e endolaser?
Não existe um procedimento universalmente melhor para todas as pessoas. De maneira simplificada:
- Vasinhos e veias reticulares: escleroterapia líquida e/ou outras técnicas para pequenos vasos, conforme avaliação.
- Varizes tributárias: espuma e/ou microflebectomia, conforme anatomia, sintomas e preferências.
- Refluxo de safena: frequentemente considera-se ablação endovenosa, como endolaser; espuma e cirurgia convencional podem ser alternativas em situações selecionadas.
- Doença venosa avançada ou recorrente: investigação detalhada, inclusive do sistema venoso profundo, antes de definir a estratégia.[1–3]
A comparação acima é orientativa, não uma indicação individual. Uma mesma pessoa pode apresentar vasinhos, varizes tributárias e refluxo safênico, exigindo um plano em etapas.
Os tratamentos são seguros? Quais são os riscos?
Toda intervenção tem benefícios, limitações e riscos. Após escleroterapia podem ocorrer hematomas, hiperpigmentação, inflamação superficial e, raramente, lesões cutâneas ou eventos tromboembólicos. Após procedimentos térmicos, são possíveis dor local, equimoses, alterações sensitivas, queimaduras e complicações trombóticas pouco frequentes.[2,3] O risco de trombose e a necessidade de medidas preventivas devem ser avaliados individualmente. A realização por profissional habilitado, o uso apropriado do ultrassom e o seguimento conforme a técnica empregada fazem parte da segurança do cuidado.
Como é a recuperação?
A recuperação varia conforme o procedimento, a extensão das veias tratadas, a associação de técnicas e as características do paciente. Em muitos casos, a deambulação precoce é incentivada. Meias elásticas, cuidados locais, retorno ao trabalho, exercícios e ultrassom de controle são orientados de forma individualizada.[2,3] É importante não prometer ausência de dor, retorno imediato a todas as atividades ou resultados definitivos. A doença venosa pode progredir e novas varizes podem surgir ao longo dos anos, mesmo após tratamento tecnicamente bem-sucedido.
Perguntas frequentes sobre tratamento de varizes
Toda variz precisa de cirurgia?
Não. A conduta depende da anatomia, dos sintomas, da repercussão clínica e das preferências do paciente. Algumas veias podem ser tratadas com escleroterapia; outras exigem investigação e procedimentos específicos.
Vasinhos são a mesma coisa que varizes?
Não exatamente. Telangiectasias e veias reticulares são vasos menores, enquanto varizes são veias superficiais dilatadas e tortuosas de maior calibre. Elas podem coexistir e requerer técnicas diferentes.
A espuma substitui o endolaser?
Não em todos os casos. São técnicas com mecanismos, indicações e resultados diferentes. No refluxo de safena, o endolaser frequentemente oferece maior durabilidade anatômica, enquanto a espuma pode ser adequada para determinadas situações.[1–3]
Preciso fazer Eco Doppler antes de tratar?
Quando há suspeita de refluxo significativo ou planejamento de tratamento de varizes, o Eco Doppler costuma ser fundamental. Em pequenos vasos isolados, a necessidade do exame depende da avaliação clínica e dos achados associados.[1,2]
As varizes podem voltar depois do tratamento?
Sim. Uma veia tratada pode permanecer fechada, mas outras podem dilatar ao longo do tempo. Recorrência não significa necessariamente falha do procedimento anterior; por isso, o acompanhamento é individualizado.
O tratamento é apenas estético?
Não. Além da aparência, a doença venosa pode causar sintomas, edema, alterações de pele e úlceras. O tratamento deve considerar saúde vascular, função, sintomas e qualidade de vida.
Avaliação e tratamento de varizes em Passo Fundo
A definição do melhor tratamento começa por uma consulta com angiologista e cirurgião vascular, com exame clínico e, quando indicado, Eco Doppler venoso. O objetivo é identificar a origem do refluxo e discutir alternativas adequadas, sem indicar uma técnica apenas pela aparência das veias. O Dr. Almondi Fagundes atua em Angiologia e Cirurgia Vascular, Ecografia Vascular com Doppler e procedimentos endovasculares. O tratamento com endolaser é realizado em ambiente hospitalar. As condições e o local de realização dos demais procedimentos devem ser confirmados no agendamento. Endereço: Rua Uruguai, 1954, Sala 502, Centro, Passo Fundo/RS. Agendamento pelo WhatsApp: (54) 99691-1919. Confirme previamente os horários e a disponibilidade.
Referências científicas
- Kikuchi R, Nhuch C, Drummond DAB, et al. Brazilian guidelines on chronic venous disease of the Brazilian Society of Angiology and Vascular Surgery. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10648055/
- De Maeseneer MG, Kakkos SK, Aherne T, et al. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs. Eur J Vasc Endovasc Surg. 2022;63(2):184–267. https://doi.org/10.1016/j.ejvs.2021.12.024
- Gloviczki P, Lawrence PF, Wasan SM, et al. The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II. J Vasc Surg Venous Lymphat Disord. 2024;12(1):101670. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11523430/
Responsável pelo conteúdo médico
Dr. Almondi Fagundes — CRM-RS 27252
- Angiologia e Cirurgia Vascular — RQE 18982.
- Ecografia Vascular com Doppler — RQE 21674.
- Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular — RQE 25703.
- Cirurgia Geral — RQE 17493.
Mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Experiência em assistência, ensino e formação médica em Cirurgia Vascular. Conteúdo educativo. Não substitui consulta, exame físico ou orientação médica individualizada.
